A INFORMÁTICA COMO FERRAMENTA PARA A MELHORIA DO PROCESSO ENSINO-APRENDIZAGEM NA ESCOLA PÚBLICA

ESTEVES NETO[1], Hildebrando

ROCHA[2], Simone Albuquerque

 

RESUMO: A Pesquisa trata da investigação sobre o uso da informática nos laboratórios das escolas estaduais de Ensino Médio em Mato Grosso, no sentido de evidenciar o uso dessa ferramenta para a melhoria do processo ensino-aprendizagem. A pesquisa aborda as novas tecnologias na educação focando o computador como ferramenta de ensino para a prática de professores. É uma pesquisa de abordagem qualitativa e foram utilizados como referenciais teóricos os trabalhos de Bogdan & Biklen (1994),  de Levy (2003), de Shön (1992), Freire (2004), Rios (2005), Pimenta (2003), Moore (1993), Pratt & Pallof (2002). Alguns resultados parciais podem ser percebidos: a Internet é uma fonte de informações com grande penetração entre alunos e permite contextualização dos conteúdos por eles estudados, contribui para desenvolver a autonomia, a comunicação e a inserção social. Os estudos apontam, ainda, a contribuição da Internet para diminuir os índices de reprovação no Ensino Médio na área de Ciências da Natureza.

Palavras-Chave: Tecnologia, Internet, NTEs, processo ensino-aprendizagem.

 

1 INTRODUÇÃO

A escola que pretende preparar cidadãos para a sociedade deve "alfabetizá-los", utilizando-se também da ferramenta do mundo moderno: o computador. O uso de recursos de alta tecnologia no espaço escolar, particularmente computadores, dinamiza o processo de ensino-aprendizagem, auxiliando a construção do conhecimento pelo educando, de forma mais interativa.

Numa concepção de alfabetização informatizada inclui-se aspecto formal da língua escrita, aspectos que dizem respeito a técnicas necessárias para a decifração de um código que já foi inventado e também aspectos necessários para a (re) construção de um processo de apropriação de uma nova linguagem que, embora não seja desconhecida, necessita ser (re) descoberta.

Lévy (1998, p.29) afirma que 

 

Já no começo do século XXI, as crianças aprenderão a ler e escrever com máquinas editoras de texto. Saberão servir-se dos computadores como ferramentas para produzir sons e imagens. Gerirão seus recursos audiovisuais com o computador, pilotarão robôs... (...) O uso dos computadores no ensino prepara mesmo para uma nova cultura informatizada.

 

Sabe-se que é possível gerir recursos audiovisuais através do computador, por meio de que os programas desenvolvidos permitem a utilização de robôs cada vez mais sofisticados, executando atividades humanas com maior excelência. É possível e até desejável o uso de editores de texto como auxiliares no ensino da leitura e da escrita. No entanto, não é possível acreditar que o fato de utilizar o computador para o ensino seja o suficiente para proclamar uma nova forma de aprender ou de alfabetizar.

Os softwares educativos mostram que o "velho" está disfarçado de "novo". A tecnologia é de última geração, mas as concepções pedagógicas são implícita ou explicitamente influenciadas teoricamente pela pedagogia tradicional que, no que concerne à leitura e escrita, preocupa-se basicamente com a decodificação do código escrito através da mecanização.

Com relação aos softwares educativos destinados à alfabetização, o que se vê são exercícios apresentados e desenvolvidos basicamente em três etapas: apresentação do alfabeto, apresentação gradativa de palavras com destaque ao som inicial, intermediário ou final de cada palavra e a associação de sons consonantais e sons vocálicos, formando palavras simples, de uma ou duas sílabas e, dependendo do grau de dificuldade escolhido no programa, torna-o mais complexo.

Não é possível afirmar que o “velho” seja descartável, só se pode construir o novo porque há algo para ser modificado, só se pode repensar e criar outras alternativas para aquilo que já existe, mas há que se trabalhar criticamente com a contribuição colocada pela cultura vigente.

Para Foucambert (1994, p.37), aprende-se a ler com textos longos, centrados nas experiências e nas preocupações, provenientes de fora da escola ou extraídos de escritos sociais e concebidos de forma a responder as necessidades como se soubessem ler. Textos que funcionem realmente para leitores. Aprende-se a ler lendo textos que não se sabe ler, mas de cuja leitura se tem necessidade.

 

[...]Lê-los é procurar as resposta às perguntas que nos fazemos, as quais supomos estarem respondidas de alguma forma no texto. Lê-los significa mobilizar tudo o que já sabemos, sobre a pergunta, sobre as possíveis respostas, sobre o funcionamento da escrita, para reduzir o espaço do que ainda é incompreensível. [...] Ler – e, portanto, aprender a ler – é uma negociação entre o conhecido, que está na nossa cabeça, e o desconhecido, que está no papel; entre o que está atrás e diante dos olhos. É um trabalho de detetive que utiliza índices (paginação, palavras conhecidas...) para elaborar hipóteses, verificá-las com base em outros índices , voltar aos pontos que parecem obscuros, com ajudas externas, etc. (FOUCAMBERT, 1994, p. 37-38)

 

Os professores necessitam se (re) apropriar de sua condição de também leitores e escritores, pois que são frutos de uma educação autoritária e tradicional, além do que “as condições objetivas de sobrevivência têm cerceado as possibilidades do professor ser um leitor, de ser um fruidor da cultura produzida pelo conjunto da sociedade, [...] e isto acaba também impondo um limite” (ROCHA, 1992, p 132).

Para trabalhar com os softwares destinados à alfabetização ou para dizer que não se pretende utilizá-los porque trazem propostas de alfabetização que visam a antecipar a escolarização e uma antecipação que se distancia sobremaneira de uma proposta de alfabetização como processo formador de leitores e escritores, o professor terá que se apropriar de conhecimentos relacionados à informática e substancialmente se apropriar de conhecimentos sobre o processo de desenvolvimento de aprendizagem, principalmente no que tange à leitura e à escrita.

“Os efeitos do computador são determinados, não pelo computador, mas pelas características dos alunos e professores, pela metodologia de ensino, pela organização social da turma” (NOGUEIRA, 1996, p. 101).

O processo de produção necessita compor equipes articuladas, com educadores que ajudem a problematizar as soluções técnicas encontradas e a ampliar a percepção a respeito da melhor forma de trabalhar esta questão da alfabetização. Sem esta integração de capacidades, oriundas de diferentes áreas, mas voltadas para uma mesma problemática, há de se temer pela pouca qualidade educativa dos produtos resultantes, pelo menos do ponto de vista de uma proposta educacional mais conseqüente e moderna[3].

Os computadores chegaram às escolas, mas ainda não trouxeram contribuições significativas à educação, permanecendo a incógnita: computador, máquina de aprender ou de ensinar? Educar para o computador ou pelo computador? Que relações os professores têm estabelecido entre o ensino, a criatividade, a descoberta e a construção de conhecimentos pelos alunos com o uso do computador?

No sentido de buscar respostas para estas e outras indagações, as investigações do presente estudo iniciaram em Mato Grosso, focando, no estudo, a origem da proposta da criação dos laboratórios de informática nas escolas, suas finalidades e desdobramentos. Neste sentido, o estudo investiga o Programa Nacional de Informática na Educação (ProInfo), e os Núcleos de Tecnologia Educacional  (NTEs), que representam importantes estruturas descentralizadas de apoio ao processo de informatização das escolas. Neles estão sendo preparados os professores da rede pública e os técnicos de suporte à informática educativa.

Sabemos que os computadores em sala de aula podem ser usados, tanto no sentido de continuar transmitindo a informação para o aluno e, portanto, reforçar o processo instrucionista, quanto para criar condições do aluno construir seu conhecimento.

Nesse sentido, o  computador na sala de aula, pode auxiliar na criação de ambientes de aprendizagem que enfatizam a construção do conhecimento e se constitui, na atualidade, em enormes desafios para os professores.

O uso do computador com essa finalidade requer, do professor, o domínio dos pressupostos teórico-construtivistas, a concepção do significado de ensinar e aprender e a adoção de modelos de ensino centrados no aluno e nos métodos interativos e socializadores. Assim, a decisão de usar meios informacionais para o processo ensino-aprendizagem, não deve se dar pelo modismo, pois seria de uma esterilidade ímpar as aprendizagens, bem como representaria uma falácia dizer que a tecnologia garante melhores condições de aprendizagem. O seu uso depende da concepção de quem emprega a tecnologia, o que significa dizer que nenhum condutor de uma máquina potente faz dela um modelo de eficiência com resultados promissores. A máquina, por si só, não dá conta disso. É o propósito em que se estruturam suas operações e o modelo de orientação àquele que dela usufrui que faz do usuário um bem ou mal sucedido em suas interações.

Diante do exposto, pode-se considerar que, sem embasamento teórico sobre as possibilidades de associar a tecnologia e o computador às aprendizagens significativas, poder-se-ia dizer que as aulas continuariam no modelo positivista com o subterfúgio e o fascínio do computador e da internet, sob a alegação de se estar inovando.

Assim sendo, professores que utilizam o computador nas suas aulas podem, ou não, estar inovando e promovendo aprendizagens significativas. No sentido de observar, investigar e analisar os professores em suas práticas e como eles aprendem a lidar com a informática por meio dos NTEs, bem como tais aprendizagens se evidenciam em suas práticas como modelos de ensino constituem-se intenções dessa pesquisa.

 Para tanto, o trabalho já iniciou com entrevistas junto aos professores dos NTEs e apresenta alguns resultados parciais de análise qualitativa que abordaremos mais adiante.

 

2 OBJETIVOS

Analisar as ações desenvolvidas pelos Núcleos de Tecnologia Educacional no estado de Mato Grosso e as concepções com as quais eles trabalham o processo ensino-aprendizagem com os professores da rede pública de ensino do estado de Mato Grosso, bem como os resultados das aprendizagens decorrentes do ensino.

Verificar se a prática educativa informatizada está servindo como ferramenta motivadora dos alunos, promovendo a autonomia, o diálogo e a interatividade, eliminando virtualmente as paredes da sala de aula e possibilitando o desenvolvimento do raciocínio lógico.

 

3  APRENDIZAGENS E INFORMÁTICA EDUCATIVA: pressupostos para a construção de conhecimentos por meio da interatividade

 

Interatividade, o termo apareceu na década de 1970, no contexto da crítica à mídia unidirecional, e virou moda a partir de meados dos anos 80, com a chegada do computador com múltiplas janelas (windows) em rede. Janelas que não se limitam à transmissão. Elas permitem ao usuário adentramento labiríntico e manipulação de conteúdos.

Os aspectos fundamentais da interatividade, que podem ser encontrados em sua complexidade na arquitetura hipertextual do computador e do ciberespaço. São três basicamente:

1. Participação-intervenção: significa interferir na mensagem de modo sensório-corporal e semântico;

2. Bidirecionalidade-hibridação: a comunicação é produção conjunta da emissão e da recepção, é co-criação, os dois pólos codificam e decodificam;

3. Permutabilidade-potencialidade: a comunicação supõe múltiplas redes articulatórias de conexões e liberdade de trocas, associações e significações potenciais.

É evidente emergência da interatividade como perspectiva comunicacional no ambiente educacional da sociedade moderna, na era digital, da cibercultura, cria a necessidade de os professores coadunarem sua prática docente com a dinâmica interativa das tecnologias digitais e com o perfil comunicacional dos seus alunos. As tecnologias digitais rompem com a mensagem fechada, fortalecendo a cultura da participação, onde o receptor é convidado à criação compartilhada diante da mensagem, e, que ganha sentido sob sua intervenção.

É preciso repensar a atitude comunicacional do professor que lida diretamente com a aprendizagem de seus alunos. Quais as estratégias usadas por um professor no laboratório de informática, para engendrar um ambiente de aprendizagem tendo como perspectiva comunicacional a interatividade definida como co-criação dos participantes? É evidente que deve favorecer momentos de expressão de autonomia, participação ativa, cooperação e criação colaborativa, a perspectiva da interatividade deve proporcionar aos alunos a possibilidade de interferir efetivamente no processo de construção da aprendizagem.

Na internet, vivemos a transição do modo de comunicação massivo para o interativo. Um processo de reconfiguração das comunicações humanas em toda sua amplitude.

A internet permite ao internauta ser ator e autor, fazendo da comunicação não apenas o trabalho da emissão, mas co-criação da própria mensagem e da comunicação. Permite a participação entendida como troca de ações, controle sobre acontecimentos e modificação de conteúdos. O usuário pode ouvir, ver, ler, gravar, voltar, ir adiante, selecionar, tratar e enviar qualquer tipo de mensagem para qualquer lugar. Em resumo, a interatividade permite ultrapassar a condição de aluno/ professor passivo para a condição de ser operativo.

A verdade é que em nosso tempo a interatividade é desafio não só para os gestores da velha mídia, mas para todos os agentes do processo de comunicação. A escola, visando atender a demanda atual criada a partir do preceito iluminista de “educação para todos”, tornou-se instituição de massa, dispensando ao conjunto da população a ser instruída um tratamento uniforme, garantido por um planejamento centralizado.

É preciso despertar o interesse dos professores para uma nova comunicação com os alunos quer em aula presencial ou virtual. É preciso enfrentar o fato de que tanto a mídia de massa quanto a aula em si estão diante do esgotamento do mesmo modelo comunicacional que separa emissão e recepção.

Há anos a escola se baseia na "transmissão" de conhecimento. Na transmissão unidirecional de mensagens, pressupondo um receptor passivo. A escola reforça a importância da memorização e da repetição das mensagens. Os educadores não sabem ainda como construir junto com seus alunos, como manter uma relação recíproca, interativa. A resistência acontece porque não é simples e nem fácil deixar de lado esse modelo tradicional baseado no falar-ditar do mestre e adotar um princípio comunicacional novo de uma hora para a outra. Como o computador então poderia ajudar esses professores?

 

A interatividade pode ser libertadora para os educadores. A aprendizagem, baseada na dinâmica interativa, é mais intuitiva, multissensorial; permite a experimentação e a participação. Na comunicação interativa, o educador funciona como um "designer de software", aquele que constrói uma rede e define meios de explorá-la. Os alunos manipulam os conteúdos, são co-criadores. Deixa-se de lado, na sala de aula interativa, aquele padrão tradicional de educador transmissor e aluno receptor passivo. O modelo interativo tem muito a ver com as idéias defendidas por Paulo Freire. Ele diz que a educação não se faz de A para B, mas, como sabemos, de A com B. (Marco Silva em entrevista a  www.educarede.org.br, 30/10/2002)

 

Marco Silva mais adiante diz:

 

Vamos pegar o caso da Internet, por exemplo. A rede está construída em cima de um sistema hipertextual e interativo. O computador é a extensão do pensamento humano, como imaginou Vannevar Bush, no artigo "As we may think". Reproduz o modo como pensamos, como raciocinamos: por meio de associações, links, de forma não-linear, labiríntica. Permite ao usuário não só transitar por conteúdos como ainda transformá-los. Esta lógica da Internet pode ajudar educadores a entenderem o espírito do nosso tempo. Por isso não vejo o computador apenas como uma ferramenta. Ele propicia a interatividade, a conversa, a participação, o construir junto. Por isso convido a todos os professores a aprender com o digital, com o hipertextual.

 

Os professores devem conversar com especialistas, procurar projetos interessantes construídos dentro da perspectiva da comunicação interativa, e tentar se familiarizar com as novas tecnologias. É necessário partir da idéia de que os alunos são co-autores. Eles podem criar, modificar, construir. Os professores devem ser os provocadores de situações, os mobilizadores das inteligências múltiplas. E não meros instrutores, guias ou facilitadores. A chave é o investimento na formação de professores. Equipar salas com computadores conectados à Internet ajuda, mas não é o essencial[4].

O importante é um novo estilo de pedagogia, baseado na interação, participação, cooperação. A tecnologia potencializa isso, mas, não chega a ser fundamental. O MEC já deve ter percebido isso, pois o ProInfo e o Livro Verde[5] estão aí. As políticas públicas devem prever esse investimento em bons equipamentos para as escolas, mas, sobretudo, devem prever a capacitação de educadores.

Portanto, seja na escola "info-rica" (equipada com computadores ligados à Internet), seja no site de educação a distância, seja na "tele-sala", seja na escola "info-pobre", é preciso ir além da percepção de que o conhecimento não está mais centrado na emissão. É preciso perceber que doravante os atores da comunicação têm a interatividade e não apenas a separação da emissão e recepção própria da mídia de massa e dos sistemas de ensino. Logo é oportuno conhecer um pouco mais sobre interatividade e assim se inquietar e ousar na modificação da comunicação na aprendizagem, na construção do conhecimento.

 

4 ASPECTOS METODOLÓGICOS

 

Para os propósitos deste trabalho, adotamos um procedimento sistemático de levantamento e análise de dados visando a identificar os resultados, efeitos ou impactos causados no processo ensino-aprendizagem, na área das Ciências da Natureza, e em particular na Biologia, que envolve os professores e alunos das escolas vinculadas ao ProInfo. A investigação que pretendemos efetivar se dará no ProInfo-MT, envolvendo seis escolas ligadas aos NETs localizadas em Cuiabá, Rondonópolis e Cáceres. Em cada núcleo, entrevistamos 2 professores e 03 alunos nas disciplinas de Biologia e Programas de Saúde, no que se refere  à questão didática empregada, quando do uso do computador, voltada para as variáveis: objetos de aprendizagem, a estrutura e diálogo empregados no equilíbrio da distância transacional dos interlocutores e processos de autonomia perceptíveis nas ações de aprendizagem. Isto é, “A separação entre alunos e professores afeta profundamente tanto o ensino quanto à aprendizagem. Com a separação surge um espaço psicológico e comunicacional a ser transposto, um espaço de potenciais mal-entendidos entre as intervenções do instrutor e as do aluno. Este espaço psicológico e comunicacional são a distância transacional” (MOORE, 1993 traduzidos por AZEVEDO, 2002, p.3).

O emprego da Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) ainda não produziu teorias completamente novas que possam ser oficialmente empregadas. Em lugar disso, têm sido adotadas as teorias de ensino e aprendizagem já desenvolvidas. Dentro de tais limites, buscamos nossa fundamentação teórica naquelas que são particularmente relevantes para esta modalidade, como: modelo organizador do desenvolvimento de Ausubel (aprendizagem significativa)- em que o indivíduo constrói conhecimentos  a partir de uma apresentação bem estruturada, apreendendo o novo ancorados nos conhecimentos que já possuem, entre outros pressupostos da aprendizagem significativa.

Seguindo-se o estudo, optamos pela inclusão do modelo de comunicação estrutural de Egan- a idéia de apresentar em pequenas doses de informação no sentido de entender os processos do ensino, bem como os requisitos metodológicos essenciais para o desenvolvimento do ensino na área de informática.

Não poderia ficar alheia a discussão sobre a informática no ensino, o modelo da conversação didática de Holmberg- a qual aborda o uso de materiais estruturados de tal modo que lembrem uma conversação dirigida, visto que, a interatividade é primordial nas relações de ensino-aprendizagem por meio do uso do computador.

À luz destes pressupostos teóricos, pretendemos atingir os nossos objetivos, sem, contudo, deixar de fazer colocações sobre o trabalho cooperativo, colaborativo e interativo que estão inseridos nas teorias do conhecimento. Por se tratar de uma pesquisa de cunho qualitativo foram utilizados como referenciais teóricos os trabalhos de Levy (2003), de Shön (1992), Freire (2004), Rios (2005) e Pimenta (2003) particularmente no que se refere à formação dos professores.

Existem muitas classificações de técnicas de levantamento de dados, todavia, preferimos agrupa-las por categorias segundo os graus de envolvimento do objeto a ser investigado. Dessa forma, para o levantamento e análise dos dados foram utilizadas 4 categorias: metodologia para o ensino com computadores nas escolas de Ensino Médio e resultados de aprendizagens, concepção de ensino-aprendizagem manifestada pelos professores, construção da autonomia pelos usuários e desenvolvimento do processo comunicacional pelos alunos, na área de biologia.

A pesquisa bibliográfica e documental, observação, questionários e entrevistas, abordarão aspectos primordiais do ensino. A metodologia, no caso do ensino na informática é um elemento basilar no que diz respeito às aprendizagens, pois, quando utilizada de modo adequado, aumenta as chances de um processo eficaz e potencialmente orientador de decisões conscientes (VIEGAS, 2003, p.13).

         Para o estudo, desenvolver-se-á pesquisa qualitativa, utilizando-se múltiplas fontes de informações e processos de investigação. Para Bogdan e Biklen (1994), a investigação qualitativa em educação é freqüentemente designada por naturalista, tendo em vista o investigador freqüentar os locais em que naturalmente se verificam os fenômenos nos quais está interessado, incidindo os dados recolhidos nos comportamentos naturais das pessoas através de conversas, visitas, etc..

 

5 RESULTADOS PARCIAIS DA PESQUISA E RESULTADOS ESPERADOS

 

Alguns resultados apresentados pela pesquisa são referentes à manifestação dos sujeitos entrevistados - no caso, os professores dos laboratórios de informática das escolas públicas do Ensino Médio de Mato Grosso, onde estão os pólos dos NTEs.

Assim sendo, como resultado a indagação ao sujeito investigado sobre como está utilizando as orientações do NTE no laboratório da escola com seus alunos, este assim descreve:

Um dos pontos mais negativos que achei foi pouco interesse dos outros colegas e insuficiência de equipamentos. Tivemos muitas dificuldades, principalmente quando o micro desconfigurava ou pegava vírus, o micro chegava a ficar meses parado esperando a pessoa responsável lá do núcleo..

 

 

Mesmo diante das dificuldades dos laboratórios dos NTEs e da pouca orientação possibilitada aos professores, além das condições do material, os professores muito tem se esforçado professor entrevistado sobre o uso do computador para o auxílio as aprendizagens, o professor que persistiu em introduzir, inserir a informática em suas aulas, como é o caso do professor Daniel o qual se dispôs a ensinar os alunos do Ensino Médio após o encerramento das aulas.

 

Foi difícil devido às poucas condições, só dez computadores e às vezes nem isso, utilizava alguns softwares educativos. Ah, não dava para usar o laboratório no horário das aulas, ficava para as horas complementares.

 

Da obstinação do professor-sujeito da pesquisa para o uso do computador no Ensino Médio, surgem alguns resultados que podemos destacar como aprendizagem para a autonomia e movimento dialético de aprendizagem a ver pelo que segue:

Trabalhei com alunos do terceiro ano do ensino médio durante 2 anos. Trabalhava com eles os assuntos para o vestibular, eles praticamente sozinhos pesquisavam na internet provas já acontecidas e tentavam responder, as que não sabia resolvíamos juntos na sala de aula (algumas coisas até aprendi junto com eles).Porém apesar disso tudo -das dificuldades enfrentadas- achei que os alunos se interessaram mais pelos estudos, alguns até fizeram os pais comprarem computador.

        

Como se pode observar, ainda que em uma análise inicial, há fatores intervenientes que dificultam o uso dos computadores para o ensino, como a sua manutenção. No entanto, observa-se, também, que o interesse dos professores em usar o computador e a Internet tem consistido em desafios na/para a carreira docente. Quando o esforço e a insistência de professores e alunos são envidados, percebe-se o retorno das aprendizagens, como evidencia o enunciado por Paulo Freire ao revelar que o professor “enquanto ensina aprende e enquanto aprende ensina” nesse movimento dialético do aprender coletivo.

 

REFERÊNCIAS

BOGDAN, R. C. e BIKLEN, S. K.. Investigação Qualitativa em Educação. Portugal: Porto Editora LTDA, 1994.

FOUCAMBERT, J. A Leitura em Questão. Porto Alegre: Artes Médicas, 1998

FREIRE, Paulo; GADOTTI, Moacir; Guimarães, Sérgio. Pedagogia: Diálogo e Conflito. 4. ed. São Paulo: Cortez, 1995.

FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia. 25. ed. São Paulo: Paz e Terra, 1996.

LEVI, Pierre. Cibercultura. Rio de Janeiro: Editora 34, 2003.

MOORE, Michael G. Teoria da distância transacional. Publicado em Keegan, D. (1993) Theoretical Principles of Distance Education. London: Routledge, p. 22-38. editada por D. Keegan. Londres: Routlege, 1993.

MORIN, Edgard. Os países latinos têm culturas vivas. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 05, set., 1998. p. 4. Caderno Idéias/Livros.

PIMENTA, Selma G. (org.). Saberes pedagógicos e atividade docente. São Paulo. Cortez. 1999.

PRATT, Keith & PALLOFF, Rena M. Construindo comunidades de aprendizagem no ciberespaço (Estratégias eficientes para salas de aula on-line). 2. ed. Porto Alegre: Artmed, 2002.

ROCHA, E. A. C. Pré-escola e Escola: Unidade ou Diversidade. Santa Catarina, 1992. (Dissertação de Mestrado) – Universidade Federal de Santa Catarina.

RIOS,Terezinha Azerêdo. Compreender e Ensinar, Por uma docência da melhor qualidade. SP:Cortez, 2005.

SCHÕN, Donald. Formar professores como profissionais reflexivos. In: NÓVOA (org.). Os professores e sua formação. Lisboa. Dom Quixote. 1992:77-92.

SILVA, Marco. Sala de aula interativa. Rio de Janeiro: Quartet, 2000.

STEMMER, Márcia R. G. S.. O COMPUTADOR E A ALFABETIZAÇÃO: Estudo das concepções subjacentes nos softwares para a Educação Infantil. UFSC.http://www.educacaoonline.pro.br/o_computador_e_a_alfabetizacao.asp?f_id_artigo=99 em 18/10/2006

VIEGAS, Waldyr. Avaliação de políticas públicas: experiências brasileiras- procedimentos metodológicos, documento apresentado no VIII congresso Internacional del CLAD sobre la Reforma Del Estado y de la Administração Pública, Panamá, 28-31 Oct.2003.

 

 

 

 

 



[1]  Mestrando CEFETMT/ UFMT/ IE/ PPGE,  prof.hildebrando@uol.com.br

[2]  Orientadora UFMT/ IE/ PPGE, sa.rocha@terra.com.br

 

[3] Um belo exemplo: A Universidade Anhembi Morumbi ganhou o prêmio Top Educacional Professor Mário Palmério 2003, concedido pela Associação Brasileira das Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES) pelo projeto A Contribuição do Uso do Computador na Aquisição da Linguagem Escrita por Jovens e Adultos em Processo de Alfabetização, desenvolvido desde outubro de 2003 em parceria com o Programa de Alfabetização e Inclusão (PAI), da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo e do Sindicato das Mantenedoras do Estado de São Paulo (SEMESP), http://www.universia.com.br/html/noticia/noticia_clipping_bbcbj.htmlvv, visitado em 18/10/2006 (Folha Online).

[4] O computador é "conversacional" para diferenciá-lo dos meios massivos unidirecionais, exatamente porque permite o diálogo da emissão e recepção. Isto é, o objeto na memória do computador e as decisões do usuário são pólos antagônicos e complementares, permitindo assim a experiência da comunicação, da co-criação. E se o computador está conectado à Internet, amplia-se o leque de disposições que convidam o usuário a operar, como intervenção, bidirecionalidade e múltiplas conexões em rede. (Marco Silva,2002)

 

[5] O Livro Verde elaborado a partir do trabalho preliminar de um conjunto de Grupos de Trabalho representativos dos diversos setores interessados nesta área contém uma visão preliminar das prioridades que orientarão a aplicação de verbas do PPA no item Sociedade da Informação. Este deverá ser discutido pela comunidade resultando no documento final (Livro Branco) que conterá as linhas e prioridades do Programa Sociedade da Informação - um programa estratégico do MCT que corresponde à uma ação do Plano PluriAnual (PPA). http://www.desenvolvimento.gov.br/arquivo/sti/publicacoes/cieTecInoDesafio/abertura.pdf